#26 GAÍA PASSARELLI
& MOTE, Santigold e El Bodegón 🥩
Gaía Passarelli é o tipo de pessoa que tem um olho muito bom para coisas que vão estourar. Não por acaso, comandou o Goo, um dos programas que eu achava mais interessantes da grade da MTV. Escritora, jornalista e curadora cultural baseada em São Paulo, ela circula pela música, pelos livros, pela internet e pela cidade com um radar muito próprio para comportamento e para o que está começando a virar assunto.
A autora, que escreve desde o início dos anos 2000, já passou por redações, atuou como diretora de conteúdo do BuzzFeed Brasil e hoje é autora das newsletters Guia Pauliceia, uma curadoria muito bem informada da cena cultural paulistana, e Tá Todo Mundo Tentando, na qual transforma seus dias em crônicas e ensaios. Além de tudo isso, é autora dos livros Mas Você Vai Sozinha?, Tá Todo Mundo Tentando e Deslumbre: histórias de obsessão musical, livros que, cada um à sua maneira, investigam desejo, deslocamento e as pequenas fixações que guiam a vida.
Hoje, como diretora de parcerias do Substack no Brasil, também trabalha para ajudar outras pessoas a transformar olhar em voz — e voz em projeto. Por isso, é com muito orgulho que trago essa diva como o segundo nome da FAV FAV THINGS.
As cinco obsessões de Gaía Passarelli
*
A revista MOTE da editora Cobogó
Amo coisas bonitas impressas, e a nova revista da editora Cobogó além de belíssima é interessantíssima. É uma revista de ensaios, na tradição da estadunidense Harper's e da brasileira Serrote, e terá um tema (o mote) a cada edição. Na estreia, o mote é "começos", combustível para textos de acadêmicos e pensadores de áreas diversas: o físico Pedro Lisboa, os antropólogos Adriana Vianna, João Biehl, Karen Shiratori e Emanuele Fabiano, o filósofo Pedro Pimenta, o sociólogo Luiz Augusto Campos, a historiadora Ynaê Lopes dos Santos e os economistas Pedro Souza e Samuel Maia.
O primeiro álbum da Santigold
Era 2008 e eu lembro de dar play (na época a gente baixava MP3 no torrent e/ou comprava no iTunes) e pensar que a Santi White seria uma artista super reconhecida. Inevitável: o álbum era bom demais para passar batido. Corta para 2026 e posso apostar uma paçoquinha que você não conhece a Santi White. Então vamos resolver isso! Santogold é o álbum de estreia da cantora e compositora da Filadélfia (que na época assinava como Santogold, ela mudou pra Santigold em 2009). Santi, que já tinha feito parte de uma banda de punk rock e trabalhado como A&R na Epic, viu seu debut como artista solo receber elogios de toda a imprensa especializada. Tocou no Coachella, fez tour com a MIA e a Björk. Tudo merecido: faixas como “LES Artistes” e “Lights Out”, canções autorais e originais com verniz comercial (no melhor sentido), bem produzidas, formam um álbum coeso, bom de ouvir de ponta a ponta. Mas o sucesso não se manteve. Difícil saber por quê: talvez Santi tenha demorado demais entre o primeiro e o segundo disco (Master mf my Make-Believe Cents, de 2012). Talvez seu foco esteja em ser uma compositora braba, com colaborações com gente como Jay-Z, Mark Ronson, David Byrne, Karen O, Tyler the Creator e ASAP Rocky. Talvez ela tenha diminuído o ritmo para focar na família (Santi é mãe de três!). De todo modo, ela não sumiu totalmente, e em 2022 lançou Spitiruals - elogiado, mas não ganhou tração. O que importa, nessa dica, é que Santogold resiste bem ao teste do tempo: 18 (!) anos depois, todas as faixas seguem frescas e interessantes. Dê play no seu streaming favorito (eu uso Tidal) para comprovar.
O restaurante portenho El Bodegón
Essa dica veio desse post da Ta Todo Mundo Tentando com lugares legais da Barra Funda pela Liv Brandão - que é carioca mas mora na área! O Bodegón serve boas carnes sem frescura, com vinho ou cerveja, e acompanhamentos como batatas fritas e empanadas. Tem um preço honesto e ambiente sem frescura, bom pra resolver um almoço no fim de semana quando bate aquela dúvida do onde ir.
Poutsicle hydrating da Fenti
Tô sempre atrás de novos batons e esse lip balm da Fenti é o eleito da temporada: gostosinho, macio, cheiroso e com uma cor linda (a minha é a Strawberry Sangria)
O app do Substack
Estou no Substack como autora de newsletters desde o começo de 2021, e como Head de Parcerias para o Brasil desde maio último. Então se eu já vinha há tempos na missão de espalhar a palavra e trazer mais gente pro mundinho newsletter, agora faço isso full time. Tem sido uma experiência interessante ver a plataforma por dentro. E uma das coisas que estou percebendo é a quantidade de projetos interessantes que eu nem imaginava existirem, de todo tipo de tema. Por ficar muito fechada no meu nicho de literatura/jornalismo, tinha uma percepção de que o Substack acabava ali. Mas, não: há projetos sadios e longevos dentro de categorias como medicina, finanças e maternidade. E isso é ótimo. Para quem também quer explorar melhor esse rolê, recomendo começar pelo app do Substack, que é a melhor experiência de uso da plataforma (no tablet as newsletters ficam com uma leitura ótima!) Aproveita e assina a Radar, a newsletter que acabei de criar para divulgar projetos interessantes de pessoas legais (e vice-versa).
→ O Trend Seeker agora é FAV FAV THINGS. Novo nome, nova identidade e a mesma curiosidade de descobrir as obsessões das pessoas mais legais da internet. Para conferir as outras edições, clique aqui.








Gaía foi uma das minhas boas descobertas depois de trocar o scroll infinito do instagram, por textos longos no substack, e estou amando acompanhá-la! Adorei as dicas!!
Obrigada pelo convite e pelo espaço, querida! Make Santigold great again!